
Dispepsia ou má digestão são queixas comuns
que inclui dor ou desconforto no abdome superior, relacionadas ou não com a
alimentação, acompanhadas ou não de: empachamento, queimor, náuseas,
gases, entre outros sintomas.
Se
o paciente tem mais de 45 anos ou em qualquer idade, se os sintomas forem
intensos ou se não responder aos remédios ou tiver vômitos (com ou sem
sangue) ou perda de peso ou história familiar de Câncer ou úlcera ou
dificuldade de deglutir ou anêmico, deve iniciar investigação diagnóstica
com exames de sangue, de fezes e Endoscopia digestiva.
Estatisticamente podemos dizer que mais de 50% destes pacientes não
apresentarão doença na Endoscopia que justifique seus sintomas. Apresentarão
exame normal ou alterações como gastrites, duodenites, pólipos, hérnia
hiatal pequena, Helicobacter pylori e outras alterações que não podem ser
responsabilizadas por seus sintomas. Estas alterações citadas são
importantes, mas geralmente, não causam nenhum sintomas.
As duas doenças mais comuns do ap. digestório alto: dispepsia
funcional (conhecida popularmente como gastrite nervosa) e doença do
refluxo gastroesofágica (muito confundida com gastrite) em regra não são
diagnosticadas por Endoscopia. Porém se na Endoscopia encontrar esofagite
(40% dos casos de doença do refluxo) fecha o diagnóstico desta
enfermidade.
Se o sintoma dor for intenso, principalmente pós prandial, o médico
solicita ultra-sonografia para afastar suspeita de doença de vesícula,
vias biliares ou pâncreas.
A pH metria 24 horas ou o teste com inibidor de ácido ajudam a
confirmar doença do refluxo quando a Endoscopia não detecta esofagite.
Outros exames mais sofisticados e específicos para doenças raras
poucas vezes se fazem necessários.
Aproximadamente metade destes pacientes dispépticos, os quais os
exames citados se mostram normais são portadores da dispepsia funcional. É
uma alteração na função digestiva, sem alterações estruturais (sem
inflamação, ferida ou tumor). Os fatores emocionais e ambientais
influenciam nesta doença, por isso o povo refere sofrer de gastrite
nervosa.

O tratamento da dispepsia funcional inclui remédios,
regime alimentar e regime de vida.
Remédios:
se não curam, melhoram os sintomas: Inibidores da secreção ácida, antiácidos,
digestivos, ansiolíticos e antidepressivos (estes com os melhores
resultados sejam por ação analgésica ou de moderar o humor, porém com
alguns efeitos colaterais).
Regime Alimentar: individualizado, pois o que
ofende a uma pessoa pode não ofender a outra. Como medidas gerais indica-se
refeições em ambiente tranqüilo, bem mastigadas, não deitar após refeições,
evitar muito líquido durante e após refeição e não comer muito de cada
vez. Não fumar e beber com moderação.
Regime de vida: reorganizar o tempo
equilibrando trabalho, laser e estudo. Buscar a paz e a harmonia na convivência.
Estimular a fé e a auto-estima. Suportar sem desesperar mesmo quando for
injustiçado. Uma mulher chamada Tereza D’vila um dia escreveu: “Nada te
perturbe, nada te amedronte, tudo passa, só Deus não passa. A paciência
tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta”.