GASTROENTEROLOGIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS  

DISTÚRBIOS DO FÍGADO

       

      Icterícia (cor amarelada dos olhos e da pele), colúria (urina escura), hipocolia ou acolia fecal (fezes claras), prurido (coceira), ascite (barriga d’água), sangramentos, alterações na pele, cansaço físico e outros sinais caracterizam males do fígado. A má digestão, porém, raramente é causada pelo fígado. As doenças do fígado são: Esteatose, hepatite, cirrose, tumores, alterações metabólicas, auto-imunes e outras alterações por doenças sistêmicas.

       O fígado é agredido pôr álcool, vírus, drogas, parasitas (esquistossomo, ameba e outros) e pode ser sede de alterações genéticas, alérgicas e auto-imune.

       Homens que bebem mais de 10 cervejas ou mais de meio litro de bebida destilada pôr semana, após 5 a 10 anos podem estar doentes do fígado ou pâncreas ou estômago ou esôfago. As mulheres também podem adoecer com metade destas doses.

       Entre 10 alcoólatras geralmente 9 tem esteatose hepática, 4 evoluem para hepatite crônica e 2 terão cirrose (que não tem cura). A situação destes etilistas se agrava se tiverem vírus B, C ou D da hepatite.

       O vírus A de contaminação fecal-oral comum em crianças e jovens, não evolui para cirrose. Porém 0,1% dos pacientes podem complicar até o óbito por insuficiência hepática fulminante. Esta hepatite fulminante é mais comum na hepatite B e na hepatite droga-induzida (principalmente altas doses de Paracetamol).

       O vírus B (350 milhões de portadores no mundo) e C (170 milhões) são transmitidos pôr sangue contaminado, sexo, agulhas contaminadas, algum tratamento odontológico, alicate da manicure, navalha do babeiro, escova de dente compartilhada e outros acidentes que poderiam ser evitados.

       Se há suspeita de doença hepática, investigar com exames laboratoriais de sangue e de imagem (ultra-som, tomografia, cintilografia), que ajudarão a elaborar um diagnóstico imaginado após história clínica bem feita e ex. físico. No caso das hepatites serão necessários pesquisa de marcadores virais. Muitas vezes só a biópsia hepática define o diagnóstico e decide pelo tratamento adequado.

       Não existe nas Farmácias remédio que protege ou recupera o fígado. O avanço no tratamento das doenças hepáticas passa pela descoberta de métodos diagnósticos laboratoriais biomolecular para medidas precoce, afastar a causa da agressão ao fígado, remédios anti-virais que ainda causam efeitos colaterais e resultados variável e o transplante hepático.

       Transplante hepático é cirurgia de risco e o paciente necessitará usar para sempre drogas para evitar rejeição do enxerto. Mesmo assim é a esperança maior de sobrevida longa ou cura da doença hepática avançada como cirrose ou tumor hepático ou outras doenças com sobrevida de meses a poucos anos. Os resultados do transplante são bons com sobrevida média de 90% em 1 ano e 50%-85% em 5 anos. Esta sobrevida depende da etiologia da doença, do estado de saúde do doente e outros fatores relacionados com o transplante e as drogas imunossupressoras.

       A demora na fila de transplante de aproximadamente 2 anos limita esta esperança. 400 transplantes por ano no Brasil não supre a necessidade de 5 mil pacientes nas filas de espera. Outros limites para o transplante são as muitas contra-indicações para o procedimento.

       Portanto é melhor prevenir os males do fígado: moderar ou parar álcool, sexo seguro (a camisinha não previne 100% mas diminui imensamente o risco de adquirir vírus), cuidado higiênico e vacinar-se contra o vírus A e B. Pena que não exista vacina para o vírus C, o mais temível.

Vida sim, drogas não!

Dr. Péricles Vasconcelos

Gastroenterologia clínica com concentração em Hepatologia clínica